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02 Abril 2025 | Redação

Discurso de Michael O`Leary na CinemaCon prega união entre exibição e distribuição, e clama por janelas maiores nos cinemas

Discurso aconteceu ontem (1), durante o tradicional "State of the Industry"

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(Foto: Jerod Harris/Getty Images for CinemaCon)

Ontem (1), o CEO da Cinema United, Michael O'Leary, subiu ao palco do The Colosseum no Caesars Palace, em Las Vegas, na CinemaCon, para falar sobre o atual momento da indústria do cinema, e também sobre o futuro no tradicional painel State of the Industry. Entre os pontos comentados, O'Leary deu ênfase na experiência do espectador, pediu uma janela de exibição de pelo menos 45 dias, defendeu filmes de orçamentos mais baixos e pediu união entre exibição e distribuição. As informações são dos portais Deadline, Screen Daily, The Hollywood Reporter e das páginas oficiais da Cinema United e Motion Picture Association



Em dado momento de seu discurso, assim como fez na edição de 2024 da CinemaCon, O'Leary destacou a importância de filmes de pequenos orçamentos, sem um foco total em blockbusters, e foi duro em relação a janela de exibição nos cinemas antes de as produções chegarem ao streaming. O executivo iniciou seu discurso prevendo um futuro grandioso para o cinema, mas apontou que é necessário união para que isso realmente aconteça.

"Acredito que nossa indústria está à beira da próxima grande era do cinema. Nosso objetivo singular deve ser trabalhar todos os dias para garantir que ir ao cinema continue sendo a principal opção de entretenimento para pessoas no mundo todo. Os últimos anos, embora turbulentos e desafiadores, nos ensinaram muito e reforçaram algumas verdades importantes. Estamos nos recuperando, mas não totalmente recuperados. O futuro é promissor, mas há trabalho a ser feito – trabalho que deve ser feito, não apenas pela exibição, mas por todos que acreditam no impacto cultural e econômico dos filmes na tela grande. Precisamos de um sistema que reconheça nossos objetivos comuns e não coloque um setor contra o outro em uma busca míope por retorno financeiro imediato em detrimento do sucesso a longo prazo", disse.

Na sequência, o CEO da Cinema United foi firme, mas realista sobre as janelas de exibição, reconhecendo que os dias de uma janela mínima de 90 dias para todos os filmes acabaram. Além disso, também afirmou que uma janela exclusiva de no mínimo 45 dias nos cinemas também seria melhor para o marketing dos filmes, potencializando seu alcance.

"Como sempre foi, um período claro e consistente de exclusividade, apoiado por marketing nacional significativo tanto da distribuição quanto da exibição, é essencial para que todos os filmes lançados nos cinemas sejam bem-sucedidos. Janelas muito curtas ou inconsistentes só geram confusão entre os consumidores, principalmente entre os espectadores casuais, que são tão importantes. A percepção, ou mais importante, a realidade às vezes, de que tudo estará disponível em outras plataformas em questão de semanas, prejudica a sustentabilidade de toda a indústria ao impactar negativamente a frequência dos fãs de cinema que vão ao cinema", afirmou.

O'Leary continuou dizendo que em países onde as janelas de exibição costumam ser maiores, a recuperação das bilheterias pós-pandemia foi maior, e também afirmou que janelas curtas são prejudiciais a filmes de pequeno e médio orçamento, pois não encontram tempo suficiente para construir uma audiência. Além disso, o executivo destacou que o apoio do marketing seria essencial para janelas maiores e que a redução das janelas e exclusão de filmes menores das grades de exibição passa a impressão incorreta de que os blockbusters são a única razão de ir ao cinema.

"Reconhecemos que a natureza das janelas mudou inegavelmente. Já se foram os dias de uma janela mínima de exibição de 90 dias para todos os filmes, e entendemos o desejo de flexibilidade para transferir filmes que maximizam seu desempenho nos cinemas para outras plataformas para recuperar o investimento. Mas é preciso haver uma linha de base e, para a maioria dos filmes, o sucesso de bilheteria e a demanda do consumidor não podem ser determinados efetivamente em menos de 45 dias. Um filme atraente terá o mesmo sucesso no PVOD em 45 dias ou em 20, E ainda terá o benefício de impacto adicional de marketing, publicidade e boca a boca por mais tempo no cinema, além de receita adicional", completou.

Outro ponto do discurso que mereceu atenção especial do executivo foi a experiência do consumidor ao ir ao cinema. O'Leary enfatizou que exibidores têm uma grande responsabilidade na "próxima grande era do cinema" e o mínimo a se fazer é manter os cinemas atualizados, limpos, bem organizados e confortáveis para que os espectadores retornem.

"É sobre experiência! Precisamos continuar investindo em todos os aspectos da experiência de ir ao cinema, desde projeção, som e iluminação até concessões, comida e bebida, lobby e áreas de estacionamento. Todas as peças importam. Ir ao cinema é e precisa continuar sendo uma grande proposta de valor de entretenimento para pessoas em todo o mundo. No entanto, para manter esse status, precisamos continuar a criar abordagens comerciais inovadoras que reflitam um mercado em mudança e a demanda do consumidor para garantir valor para o público", disse.

Também durante o State of the Industry, Charlie Rivkin, CEO da Motion Picture Association (MPA), teve espaço para seu próprio discurso. Nele, o executivo relembrou a promessa recente do mais novo membro da MPA, o Amazon MGM Studios, de lançar de 12 a 14 filmes nos cinemas no ano que vem, garantiu aos exibidores que sempre terão apoio da MPA e disse que a produção de filmes estadunidenses é essencial para a própria economia do país.

"A MPA tem se esforçado para levar mais filmes aos cinemas em todo o mundo e lutado por incentivos que levam a produção para nossas cidades e reforçam a vantagem competitiva do nosso país. A MPA está defendendo junto aos formuladores de políticas em Washington e nas capitais dos estados dos EUA que a produção cinematográfica importa. Essa produção vale seu tempo e atenção. Essa produção é uma bênção para seus eleitores e um adiantamento para o futuro da nossa nação. Falamos com eles sobre como um grande filme injetará, em média, US$ 1,3 milhão por dia na economia local quando estamos em produção – pagando mais de US$ 17 milhões em salários para quase 1.600 contratações locais no local, todos eles fazendo trabalhos que pagam 64% a mais do que a média nacional", afirmou Rivkin.

Antes de encerrar a apresentação, Michael O’Leary voltou ao palco para falar que há desafios pela frente e que esses necessitam de coragem para serem enfrentados, e voltou a pedir a união entre exibição e distribuição para que os objetivos, como um todo, sejam alcançados.

"Hoje, encerro com um chamado à ação. Convocar os líderes de exibição e distribuição a se unirem, de boa fé e bom espírito, e terem conversas francas sobre como podemos coletivamente tornar nosso setor melhor. Junte-se, discuta desafios e crie soluções que respeitem a concorrência, reconheçam as condições de mercado, as necessidades e demandas do consumidor e melhorem o negócio geral que todos nós amamos. O objetivo é expandir os negócios, aumentar a receita e dar mais opções aos fãs de cinema, de uma forma que beneficie a todos coletivamente. O sucesso dos estúdios é o nosso sucesso, e o nosso é o deles. E se fizermos isso direito, os fãs de cinema do mundo todo serão os verdadeiros beneficiários", encerrou.

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