04 Abril 2025 | Yuri Codogno
Último dia da CinemaCon 2025 debate uso de IA na exibição; confira o resumo da edição
Convenção aponta para um bom futuro da exibição cinematográfica
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A CinemaCon encerrou ontem (3) sua edição de 2025, levando ao mercado os principais lançamentos de oito distribuidoras, além de importantes insights para o futuro da indústria. Um dos temas debatidos em seu encerramento, aliás, foi a utilização da inteligência artificial na exibição, de modo que consiga alavancar números que auxiliem os cinemas a obter melhores resultados, mas sem substituir o componente humano.
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Conforme reportou a Variety, os palestrantes do seminário IA na Exibição: Transformando Tecnologias e Operação, organizado pela da Internacional Cinema Technology Association (ICTA), foram: Jeff Rosenfeld, vice-presidente sênior de digital e experiência do cliente da Cinemark; Otto Turton, diretor comercial da Vue Cinemas; Norma Garcia, CEO do NRJ Media Group; Alan Roe, CEO da Jacro, desenvolvedora de sistemas de bilheteria; Kiran Hanumaiah, vice presidente de tecnologia e informação da Malco Theatres; Matthew Liebman, chefe de produção, invocação e marketing do Vista Group; e Harish Anand Thilakan, chefe-executivo da Influx.
"Ainda não vimos nada que produza algo melhor do que a equipe humana poderia fazer. [Mas a IA] é excelente para usar na fase de ideação e brainstorming do processo, posso entrar e produzir um ótimo material, mas não tenho a experiência de me comunicar com o cliente e saber o que o motiva. E acho que é aí que alguém com esse poder criativo, usando a ferramenta, vai produzir algo muito melhor e mais eficaz. Portanto, vejo isso como uma colaboração", disse o executivo da Cinemark.
A mesa concordou que, nesse momento, a supervisão humana ainda é necessária, mas que a IA é especialista em absorver grandes volumes de dados e encontrar padrões que estão além do que qualquer humano poderia analisar em toda a sua vida. Nesse ponto, então, o ser humano pode complementar analisando tendências e cultura, inclusive aumentando o volume de sessões em até 10%, como aconteceu nos cinemas da rede VUE.
Norma Garcia, por sua vez, complementou com outro benefício da utilização da inteligência artificial pelas redes exibidoras: "Tem um valor imenso ao assumir certas tarefas de marketing. É uma ferramenta de tanto valor que libera o marketing para ser mais estratégico e pensar mais sobre a narrativa emocional". Alan Roe complementou: “É isso que ela faz para mim no meu trabalho diário, traz eficiência, eliminando tarefas repetitivas, tediosas e irritantes".
CinemaCon 2025
Foram quatro dias bastante movimentados na última edição da CinemaCon, que voltou a ter as cinco majors apresentando seus line-ups para a indústria, além da Lionsgate. Não apenas isso, como também teve a estreia da MGM/Amazon e o retorno da Angel Studios.
No geral, a CinemaCon 2025 apresentou um tom de otimismo em relação ao futuro, mas também lembrou que é urgente que o mercado norte-americano vire uma chave e possa voltar a ser mais competitivo, visto que os últimos meses foram bastante duros para os cinemas estadunidenses. As apresentações apontam para um verão (no hemisfério norte) muito potente, com todas as majors disponibilizando ao menos um grande blockbuster. O Brasil, por sua vez, também deve/irá se beneficiar dos ótimos títulos.
Mas não apenas isso deve ser levado em consideração, visto que a CinemaCon trouxe também importantes debates como o alto valor que está sendo investido nos filmes, o que dificulta o retorno financeiro de todos os elos da indústria, assim como voltou a falar sobre a velha-nova questão da janela de exibição, dessa vez em um argumento de que deve ser fixa em 45 dias, uma declaração de ninguém mais, ninguém menos que Michael O’Leary, presidente da Cinema United (ex-NATO). Se ele está certo ou errado, apenas um ensaio sobre o assunto poderá dizer, mas claramente é algo que divide opiniões.
Vale usar um exemplo brasileiro: Ainda Estou Aqui é uma produção original Globoplay (um streaming!) que, antes de ir para a plataforma, ficou 21 semanas em cartaz e fez o filme figurar entre os 15 longas nacionais que mais venderam ingressos na história do Brasil. Pode ser um caso isolado? Sim, mas não precisamos ir longe para encontrar filmes que após a 6ª ou 7ª semana em cartaz (relativo aos 45 dias) ainda estão vendendo muitos ingressos. Talvez a resposta seja: cada caso é um caso.
Em relação às apostas das distribuidoras, você pode conferir a cobertura completa aqui:
- - Amazon/MGM
- - Angel Studios
- - Disney
- - Lionsgate
- - Paramount
- - Sony
- - Universal
- - Warner
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